Serginho Rocha
Discurso proferido por Jayme Silva, no Grupo Escolar
de São Domingos do Prata, por ocasião de ser o mesmo inaugurado em sessão
cívica a 2 de julho de 1921.
"Exmº Sr. Presidente; exmº Sr. Dr. Juiz de Direito;
Exmº Sr. Diretor; Exmº Sr. Orador Oficial; Exmº Sr. Representante do município
de Itabira do Mato Dentro; Minhas exmª Srªs e Meus Srs.
Não se fazia mister que eu levantasse, aqui nesta
solenidade a minha voz tênue. Não devia mesmo fazê-lo, nem só porque a ela
falta a autoridade necessária, mas ainda porque irá perturbar a impressão
agradabilíssima que pairam aos nossos ouvidos, produzida pelas palavras cheias
de conceito dos oradores procedentes, verdadeiras autoridades na matéria que
neste momento nos assoberba.
Mas, meus senhores, cumprindo um dever cívico, vejo-me
forçado a quebrar o silêncio em que preferiria ficar-me envolvido, a fim de
desempenhar-me de uma comissão.
Vargem Alegre, meus senhores, distrito que, na
verdade, é um dos menores do município, porém grande pela elevação de ideias e
princípios de seus habitantes, ele que tem sempre cooperado para o
engrandecimento desta terra, não podia deixar de, aqui, nesta hora, ter o seu
representante, para trazer de viva voz o concurso de seu aplauso.
E eis porque eu vos dirijo a palavra.
Meus senhores: Evoluir! Evoluir!
Este verbo tem sido a preocupação de todos os tempos e
de todas as idades.
A humanidade, desde os seus primeiros dias, vem
procurando conquistar a sua evolução, e, assim, vemos todos os povos como uma consequência
lógica da lei natural, despertarem o seu progresso.
Há seis mil anos, meus senhores, que o homem saindo do
estado na natureza e trazendo em si o gérmen do seu melhoramento, busca num afã
sempre constante e crescente atingir o grau de perfectibilidade a que está
destinado pela providência, e, em marcha ascensional, lenta mas regular,
vemo-lo caminhar até ver se chega a consecução dos seus fins ou do seu
desideratum – a civilização perfeita.
E o tempo, meus senhores, tem sido cadinho onde as
suas ideias vão se transformando e aperfeiçoando, e, a medida que as
necessidades vão surgindo na terra, elas vão sendo satisfeitas em harmonia com
as novas ideias e as novas aspirações.
E o testemunho de meu acerto, meus senhores, nós
assistimos aqui agora nesta solenidade, em que o povo deste município, vê
sagrada uma das suas mais ardentes aspirações, a inauguração, nesta localidade
de um grupo escolar, cuja conquista é mais um triunfo que ele associa ao troféu
de suas glórias.
Quando falamos de coisas escolares, meus senhores,
lembramos com razão, dos livros e das idéias que nos mesmos se contém e então
evocando as páginas do passado, à nossa imaginação se destacam dois pontos
luminosos, brilhantes que são XV e XVIII séculos que jamais os esquecerá a
humanidade.
Se aquele – o XV – século, no ano de 1435,
aproximadamente, fez surgir o gênio de Gutemberg, que inventou a imprensa, que
disseminou as idéias pelo mundo, este, o século XVIII – dá conta da
frutificação dessas idéias com Revolução Francesa de 1789, em que o povo, em assembleia
pública, proclamou o “Tratado do Direito das Gentes”, cujo código tem sido o
espelho em que se uniram demais nações do mundo.
Essa revolução, meus senhores, é um marco miliário na
história da humanidade, porquanto, fazendo ruir o velho edifício, já carcomido
do passado, pelos regimes feudais e outras quejandas
vernarias, criou ou veio criar para o mundo uma nova era de felicidade e
de liberdade.
Bem se pode dizer, meus senhores, que até essas
épocas, que me refiro, ainda existia na terra, a aristocracia do saber. As
sociedades de então, estavam, assim, divididas: Clero, Nobreza e Povo.
Escusados é dizer que enquanto aqueles dois primeiros
estados sociais, ocupavam ou formavam o vértice da pirâmide social, a sua base,
- o terceiro estado – jazia na mais cruel ignorância.
Graças, porém, meus senhores, ao influxo dos séculos
que já vos aludi, com suas novas idéias – a democracia – enfim, nós dividamos a
luz do saber vir descendo pináculo ou vértice da pirâmide social até a sua
base, iluminando, assim, todo o seu pedestal, que é a humanidade inteira."
"Disse."
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ofício enviado a família de Jayme Silva |
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