por Jayme Silva

Grupo Escolar Cônego João Pio

Com quase um século, o Grupo Escolar Cônego João Pio é parte integrante do patrimônio histórico e cultural de São Domingos do Prata. Além d...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Fazenda do Tavares

Na matéria, “A Saga da Fazenda do Tavares”, publicada no blog “Casos e Causos” João Lana Rocha descreve os desafios enfrentadas pelo seu Pai e também meu avô paterno, para desbravar uma região com características selvagens, localizada a aproximadamente a 4 km da Vila de Ilhéus do Prata. 
É uma boa oportunidade para registrar e ilustrar em nosso blog alguns tópicos interessante, que compõe a história do município de São Domingos do Prata.

Parabéns João Lana, pela riqueza das informações. A íntegra da matéria encontra-se no link: http://ailtonp.blogspot.com.br/2012/07/ilheus-um-pedaco-da-historia-de-sao.html

Saudações!
Serginho Rocha

Sede da Fazenda do Tavares
“A Fazenda do Tavares, Distrito de Ilhéus, Município de São Domingos do Prata, foi adquirida pelo Sr. João Pereira da Rocha (Sô Gico) em 1946, do padre Brás Morrone. Todo mundo chamava Sô Gico de "doido", pois enfrentar aquela região onde tantos morriam era loucura total. Antigamente a fazenda era chamada de "Degredo", para onde mandavam os piores criminosos para expiarem suas penas com a inevitável morte. E morte horrível, cruel, com sofrimentos indescritíveis."
“...Região hostil, muita febre e outras doenças, feras e para complementar, índios ferozes. Próxima ao Rio Doce, ribeirões e lagos com muitos peixes e caça, os índios botocudos que habitavam o litoral do Espírito Santo em quase toda extensão do Rio Doce, estavam sempre presentes...”


"A fazenda tinha um enorme área alagada com matas virgens cobrindo todo o lago e margens. Febre amarela, malária (que chamavam de maleita), e outras endemias eram comuns e mataram muita gente."

"...O Sr. Gico não teve medo e resolveu encarar o desafio. Começou a rasgar (drenar) o Ribeirão Santa Rita, Macuco e Brejal, numa extensão de aproximadamente 13 km por até 500m de largura ou mais. Eu me lembro ainda menino, dos homens trabalhando, derrubando, rasgando, limpando os leitos dos rios para drenagem do curso normal das águas. Cobriam as pernas e outras partes do corpo com saco de aniagem devido ao ataque de sanguessugas.No Brejal se formou um belo campo de arroz com produção até hoje invejável. No Ribeirão Santa Rita e Macuco, começou com arroz e depois com milho e feijão por serem mais secos..."

João Pereira da Rocha - "Sr. Gico"
"...O escoamento das águas paradas, fétidas, cheias de mosquitos e outras pragas deu lugar a um campo de cereais e pastagem com tratos culturais quase diários. Acabaram as endemias e áreas doentias. O Sr. Gico pegou várias malárias e ficou famoso como curador da febre, pois na época, ninguém tomava remédio direito e ele fazia questão de acompanhar o tratamento que era feito a base de quinino e camoquim. Logo depois, com o aparecimento da penicilina, foi muito útil, pois sabia aplicar injeções (coisa rara na época) que era ministrada de hora em hora e ele tinha que ficar junto ao paciente ate a melhora do quadro..."

Curral onde  trabalharam os Vaquerios Tito e Antonio de Anjo
"Também na bovinocultura sempre se preocupou com a melhoria das raças adquirindo touros puros mais adequados. Assim introduziu o Gir no gado pé-duro existente na região e mais tarde o Nelore e o Guzerá (Zebus) fazendo ótimos bois carreiros; pesados, resistentes e bom para o corte."



"Construiu uma olaria, substituindo a sede e casa de colonos por novas residências feitas de telhas e tijolos produzidos ali mesmo. Um engenho moderno para fazer açúcar mascavo, rapadura e cachaça. Um moinho de milho com uma pedra grande para atender aos moradores e uma criação de suínos com expressiva produção. Construiu uma enorme manga para criação extensiva de porcos. Uma maternidade funcional e um local amplo para terminação de cevados. Sempre inovando, adquiria reprodutores do Ministério da Agricultura – Fazenda Modelo de Pedro Leopoldo, trazendo a raça Piau (banha) para cruzar com raças comuns e menos produtivas. Mais tarde trouxe o Duroc (raça de carne) cruzando os dois, fazendo um suíno misto de carne e banha, atendendo a exigência do mercado."

Sr. Gico na Varanda da Fazenda
Sr. Gico, sua esposa Dona Ignês e netos
Registro no terreiro da Fazenda  - Álbum de família 

4 comentários:

  1. Pato Fu
    SIMPLICIDADE
    http://www.youtube.com/watch?v=I_4JVwE-x3s

    Não foi possível inserir a bela foto de Ilhéus do Prata do endereço http://commondatastorage.googleapis.com/static.panoramio.com/photos/original/17216810.jpg


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  2. Como vai, Serginho, tudo bem?
    Não sabia que seu avô tinha sido pioneiro, um desbravador de terras aonde existiam índios, doenças, todo tipo de perigos, uma vida de luta, muito sacrifício e trabalho.
    Isto é muito importante pra história da família e deve ser conhecida pelos descendentes do tio Gico, ainda que eles não deem a menor importância a estes fatos, no momento.
    É muito louvável seu interesse e preocupação em deixar registros para gerações futuras a repeito de acontecimentos tão significativos para família Rocha.
    Parabéns pelo seu trabalho ao qual admiro muito.
    Grande abraço.

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  3. Na época em que o sr Gico adquiru a fazenda, não existiam mais os indios ferozes, só os mosquitos ferozes, não é sergio?

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