por Jayme Silva

Grupo Escolar Cônego João Pio

Com quase um século, o Grupo Escolar Cônego João Pio é parte integrante do patrimônio histórico e cultural de São Domingos do Prata. Além d...

sábado, 1 de setembro de 2012

Jayme Silva, parte da história de Vargem Linda

Jayme Silva
Vargem Linda me faz lembrar dos meus antepassados. Lá moravam os meus bisavós Jayme Silva e Maria de Araújo. Convivi apenas com minha bisavó Maria, que sempre nos visitava em Ilhéus e por lá passava longos períodos. Destes encontros restam-me lembranças do seu jeito carinhoso e amável. Já o meu bisavô partiu antes da minha chegada na família. No entanto, cresci ouvindo suas histórias e mais tarde conheci um pouco dos seus pensamentos através de suas escritas. Falar sobre Jayme Silva não é, naturalmente, uma tarefa fácil pra mim, mas ao abrir o baú do passado, encontro em suas anotações motivo e inspiração para expressar, neste espaço, um breve relato da sua vida.
Jayme Silva nasceu em 1880 no arraial de Santo Antônio de Vargem Alegre, hoje distrito de Vargem Linda, pertencente ao município de São Domingos do Prata/MG. Era descendente do Capitão Felício José da Silva, que lutou como voluntário na guerra do Paraguai. Contam os mais antigos da família que ele estudou no colégio interno Santo Antônio, que funcionou em Vargem Linda no final do século XIX. Sua formação escolar, certamente, contribuiu para desenvolver seus dotes literários. Interpretava o Latim, dominava o Francês e, curiosamente, possuía um acervo bibliográfico considerável para a época. Fascinado pela literatura, escrevia peças para teatro, poesias, discursos e artigos, sendo, inclusive, colaborador do jornal “O Prateano” que circulou no início do século passado na região. 
Papel timbrado de receituário
Casou-se em agosto de 1907 com Maria de Araújo Silva, professora e uma mulher que, literalmente, guiou Jayme em boa parte de sua vida. Tiveram quartoze filhos, sendo que cinco deles morreram antes de completarem dois anos de Idade. Era um autodidata e enquanto pôde exerceu a profissão de dentista, atendendo a freguesia de Vargem Alegre e localidades próximas. Ele mesmo confeccionava as próteses e peças em ouro utilizadas na época como estruturas das coroas dos dentes. Ensinou sua profissão a membros da família e pessoas da comunidade que foram acolhidos em sua casa.
No campo político, atuou como um líder comunitário e formador de opinião. Representou por dois mandatos o distrito de Vargem Linda na Câmara Municipal, em 1905 e 1912. Participou efetivamente de vários momentos da história do município, como por exemplo, da inauguração da luz elétrica em 1916 e do Grupo Escolar Cônego João Pio em 1921. Neste mesmo ano, recebeu o título Paramilitar de Tenente Secretário, através de carta patente 683, emitida pela Infantaria da Guarda Nacional da comarca de São Domingos do Prata. Em 1934, por intervenção do Estado, foi indicado para membro do Conselho Consultivo Municipal. Em 1935 integrou a comitiva de políticos da região que recepcionou Getúlio Vargas em João Monlevade, por ocasião do lançamento da pedra fundamental da Usina Siderúrgica Belgo Mineira. 
Por aproximadamente dezessete anos de sua vida, ficou deficiente visual, devido a uma doença ocular que causou degeneração progressiva da retina, levando-o à cegueira total. Ele tentou, em vão, interromper a evolução desta distrofia no Hospital Central da Marinha no Rio de Janeiro, ficando em tratamento por mais 60 dias. Morreu aos 75 anos em sua casa na Vila de Vargem Linda, ao lado de sua esposa. Muitos de seus registros, cartas e documentos se perderam ao tempo após sua morte. Entretanto, pequena parte foi resgatada e compilada em formato de livro por intermédio de sua neta Ledice de Araújo, atendendo à sugestão de Dalila Araújo Silva, minha avó.
Saudações!
Serginho Rocha

                                                          Vargem Linda - início do século XX
 Rua Jayme Silva - ao fundo Igreja velha
1935 - Jayme Silva, em destaque -Solenidade com o Presidente Vargas
Maria de Araújo Silva e uma de suas netas
Carta Patente emitida pela Exercito Brasileiro 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Homenagem a Jayme Silva

Para lembrar o aniversário de 57 anos da morte de Jayme Silva, meu bisavô, segue trechos da mensagem escrita por Arthur Braz Filho ao seu conterrâneo de Vargem Linda, por ocasião da sua morte. Jayme Silva, assim como Arthur Braz Filho, foi personalidade influente e atuante na Comunidade de Vargem Linda. Segue..

“Morreu Jayme. Houvera por bem fazer uma elocução a respeito do conterrâneo para retificar a saudade que tenho. Calou-se uma das belas vozes que encantavam a Vargem. Imenso pesar dominou e domina até hoje Vargem, quando todos os certificaram a morte de Jayme ocorrida dia em 29 de agosto de 1955.“

“Na Vargem se germinou a figura queridíssima que os amigos habituaram a admirar. Via-se em Jayme um artista autêntico, um grande ente que encheu de profundo encanto as nossas escolas, levando também a muitos lares venturosos as belezas de suas interpretações magistrais. Artista nato, o inesquecível conterrâneo soube imprimir colorida a sua imagem que tocando a sensibilidade de quantos o ouviram imergir puro, límpido e ainda informado, os conhecimentos literários. A essa atitude efetivamente genial, aliava-se uma inteligência de escola que lhe aprimorou as qualidades de cronista e contaminando de vaidades e pretensões. Além desses méritos que tornou inconfundível, tínhamos em Jayme um espírito admirador, cheio de amor pitoresco e cativante.”

“... ele procurava modalizar contra o mal que o atormentou durante muitos e longos anos e o prostrou afinal definitivamente para a tristeza de seus amigos incomparáveis. Pobre, mas riquíssimo de amigos. Alma boníssima, companheira de todas as horas. Jayme marcou a época e atravessou gerações, transformando todas elas em admiradoras incondicionais de sua arte e seu grande coração.”

Nota: Este registro encontra-se no livro “Discursos, Memórias e Genealogia – Jayme Silva”

Saudações!
Serginho Rocha

Lembranças de Jayme Siva em Vargem Linda
Rua Jayme Silva - Vargem Linda - MG
Estadio Municipal de Vargem Linda 


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Encontro de Cavaleiros

Sete companheiros fizeram uma aventura diferente para os tempos de hoje. Realizaram o percurso da cidade de Timóteo/MG até a pequena Vila de Ilhéus do Prata/MG, em montarias de animais de Cela. 

De acordo com o planejado, a viagem iniciou-se no dia 17/08 pela manhã, saindo do Clube do Cavalo em Timóteo com destino a Marlieria e em seguida para Dionísio, onde o grupo pernoitou no Rancho Tremedal, encerrando assim, a primeira etapa do trajeto.

No sábado bem cedo, a caravana partiu rumo ao Bar do Zé de Tita, localizado na a Vila de Santa Izabel, município de São Domingos do Prata/MG, para se encontrar com os Cavaleiros de Ilhéus do Prata. Após o descanso dos animais e a tradicional hidratação dos peões, o comboio seguiu viagem, passando pela Vila de Macuco e de lá até o Bar de Zé Clarindo em Ilhéus do Prata, local definido como o ponto de chegada.

Saboreando o delicioso tira gosto e a merecida cerveja geladíssima, os aventureiros comemoraram o êxito da viagem, que teve como destaque a exuberância e beleza da mata atlântica, próximo ao parque do Rio Doce. Para completar uma programação perfeita, a noite de sábado em Ilhéus do Prata foi acompanhado por moda de viola, cachaça da boa e muita prosa dos eternos peões de boiadeiros.

Participaram da aventura: Gilmar montado em seu Burro pelo de Rato conhecido por “Apaixonado”; Tizá e seu cavalo pampa, de nome “Nobre do Tupumunjú”; Almir e sua Mula cardã e nome Catita; Lucas Vieira e a Mula dourada pampa, conhecida como Figura; Sílvio, montado no Burro Forró; Grimaldo e sua Mula “Poderosa”; Lucas D2 montado na Mula Ruana, conhecida como Passarela.

Saudações, 
Serginho Rocha


Chegada a Santa Izabel
Encontro dos Cavaleiros de Timóteo e Ilhéus do Prata
Chegada na Venda do Zé Clarindo - Ilhéus do Prata 
Chegada a Vila de Ilhéus do Prata
Esq p/ dir.: Tilau, Luiz Avelino, Mateus e Geraldo Avelino
Encontro no Rancho do Miguel
Confraternização dos Peões de Boiadeiros
 Montarias dos animais - Rancho do Miguel

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Confraternizações em Ilhéus

Quadrilha

Ao som da dupla, Higino (sanfona) e João Paulo (violão), realizou-se no dia 28 de julho uma animada quadrilha entre os moradores da comunidade. Durante a semana aconteceram os ensaios, sob a coordenação da ex-professora Geralda que organizou os pares e pôs o pessoal prá dançar, sem medo de ser feliz.
Foi um momento de muita descontração e reencontros entre amigos e familiares. Organizaram o evento: Beatriz, Lulu, Nôca, Inês, Mateus e outros colaboradores do local.


Destaque: Sanfona do Higino e Violão João Paulo


Dias dos Pais

No dia 11 de agosto, foi realizada a confraternização em homenagem aos Pais. O evento contou com a colaboração do nosso conterrâneo Elias que trouxe de João Monlevade o som para celebrar esta data especial.




Saudações,
Serginho Rocha

segunda-feira, 30 de julho de 2012

4º Encontro da Família Cota

Aconteceu entre os dias 27 a 28 deste mês o 4º Encontro da Família Cota, com a participação de aproximadamente 135 pessoas. Os encontros anteriores foram realizados em Dom Silvério (1º), Ilhéus da Prata (2º) e São Domingos da Prata (3º e 4º). Os jovens mandaram ver muita música e brincadeiras animadas. Destaque para Kalil, que foi o Cota mais contagiante do evento.  Abaixo um pouco da História e fotos do evento.

Família Cota ou Cotta

“Esta família procede da freguesia de Santa Bárbara, situada na Ilha dos Açores, Portugal. O tronco português da família se chamava Pedro Cota de Malha, da Ilha Terceira. Seu filho, o guarda-mor João Pedro Cota Vieira veio para a província de Minas Gerais em meados do ano 1700, onde, depois de ter abandonado a função que exercia na Intendência do Ouro, em Villa Rica, dedicou-se ao comércio e à lavoura.”
Saudações,
Serginho Rocha










sábado, 30 de junho de 2012

Medalha de “Mérito de Defesa Civil”

João Paulo Viera Cotta, natural de Ilhéus do Prata/MG, foi agraciado com a medalha de “Mérito de Defesa Civil”. Esta homenagem é conferida anualmente pelo Gabinete Militar, aos servidores militares, civis, e sociedade em geral, que se destacaram positivamente nas ações e prestações de serviços relacionados à Defesa Civil, trazendo como resultado, melhoria na qualidade de vida da população. A medalha de Mérito de Defesa Civil foi instituída em 1984, pelo então Governador do Estado de Minas Gerais, Tancredo de Almeida Neves. Acompanha a medalha o respectivo diploma, que é assinado pelo Governador.

João Paulo é graduando em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais e servidor público estadual. Desde 2009 encontra-se na Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e desempenha atividades que envolvem, principalmente, assuntos relacionados a desastres naturais. Dedicou-se nos últimos dois anos, em trabalhos para amenizar os efeitos da seca no Norte de Minas e também, nos socorros e reconstrução das cidades da Zona da Mata Mineira atingidos pelas chuvas. A Homenagem de reconhecimento pelos serviços prestados ocorreu em dezembro de 2011 no Palácio Tiradentes localizado na Cidade Administrativa.  A entrega da medalha foi feita pela Sra Maria Coeli, Secretária de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas Gerais, que na ocasião, representava o Governador do Estado.

Parabéns ao nosso amigo e conterrâneo João Paulo.
  
Serginho Rocha

Diploma assinado pelo Governador Antonio Anastasia

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Horta caseira

Uma das coisas interessantes que faz parte da cultura do interior, principalmente das comunidades e Vilarejos mais afastados das cidades, são as hortas caseiras. Aqui em Ilhéus do Prata a maioria dos moradores tem este bom costume, que trás benefícios imensos a nossa saúde pela qualidade dos alimentos frescos e saudáveis em nossas mesas.

Lembro-me quando criança na casa dos meus avôs, que além das hortaliças, cultivava na horta, os temperos e folhas medicinais para os tradicionais chás. Recordo-me também como era prazeroso o trabalho de adubação dos canteiros com o tradicional adubo orgânico, as capinas manuais, as podas e principalmente, a irrigação diária com a água que atravessava por gravidade em regos no centro da horta.

Tudo isto, agrega valor ao homem do campo e  tem um significado muito grande pelo ensinamento e a sabedoria que estimula o sentimento telúrico, trazendo benefício para o corpo e para a mente. Infelizmente em alguns locais, a horta caseira caiu em desuso e foi substituída pela facilidade dos supermercados e feiras livres espalhadas pelas cidades.

Abaixo segue algumas fotos da horta cultivada pela Izabel, em Ilhéus do Prata.

Canteiro de alface 
Canteiro de Almeirão
Simplicidade da horta caseira
Canteiro de taioba
Canteiro de cebolinha
Canteiro de tomate

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Municipalização da E.E.Major Oliveira

Segue esclarecimento da prefeitura de São Domingos do Prata, sobre a municipalização da Escola Estadual Major Oliveira. A matéria foi divulgada no Site da Prefeitura e também publicada jornal Tribuna do Prata, nº 150, edição de março/abril. Trata-se de uma mensagem oficial, dirigida especialmente, para os ex alunos que tem acompanhado este processo atentamente, preocupados com o futuro das poucas crianças que dependem deste educandário funcionando com conforto e qualidade .Em anexo matéria publicada no jornal.

Saudações,
Serginho Rocha



quinta-feira, 22 de março de 2012

Líquido Precioso

Hoje, 22 de março, comemoram-se o “Dia Mundial da Água”. Esta data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 e tem como objetivo disseminar aos povos a importância do uso racional e a preservação das fontes deste líquido precioso que é vital para existência em nosso planeta. 

O Brasil é um país privilegiado por ter um grande manancial de água doce e também o maior rio em volume de água do planeta. O nosso distrito é uma região bem irrigada, assim como todo território do município de São Domingos do Prata. 

Ilhéus do Prata, é cortado por dois ribeirões, um rio e existem várias nascentes que brotam nas grotas e cabeceiras das montanhas. Este é o nosso verdadeiro tesouro que deve ser preservado e protegido das ameaças que já conhecemos e outras que às vezes, nos confundem com o nome de progresso.

É preciso utilizar os recursos naturais, em prol da qualidade e da preservação da vida como um todo. Abaixo, segue declaração universal dos direitos da água e fotos da  presença da água em Ilhéus do Prata.

Saudações!
Serginho Rocha

Declaração universal dos Direitos da Água
Histoire de L´Eau, Georges Ifrah, Paris, 1992

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos da Água, ela é seiva do nosso planeta e condição essencial da vida na terra. Confira os artigos:
Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.
Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água devem ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.
Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.
Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra. 


Água que nasce na grota
Água de Lagoa - Jazida
Água de nascente

Água de Riacho