por Jayme Silva

Grupo Escolar Cônego João Pio

Com quase um século, o Grupo Escolar Cônego João Pio é parte integrante do patrimônio histórico e cultural de São Domingos do Prata. Além d...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Casas e Ruas

Inicio da rua da Baixada
Vista sobre a ex casa do Sr.Tonico Bastos - fundo rua de cima

Vista de moradias da rua da baixada

domingo, 26 de julho de 2009

“Passeio e Passagem"

Recebi este texto de um amigo, tempo atrás. Detalha com propriedade a relação do carreiro e seus bois, além de fazer uma analogia com o comportamento humano dos profissionais dentro do ambiente de trabalho. Achei interessante e penso que encaixa no contexto deste blog. Nós que já testemunhamos a vida difícil dos carreiros e já sentimos a emoção quando os carros de boi carregando cana, milho, madeiras, entre outras coisas, atravessavam a Rua de Ilhéus, chamando atenção de todos e fazendo a alegria da criançada que delirava com aquele episódio.

“Passeio e Passagem"

A expressão dar "nome aos bois" tem um sentido. Quem já teve a oportunidade de lidar com gado sabe bem disso. O boi não só tem nome com se acostuma e gosta de ser chamado por ele. Todas as vezes que ouço a expressão "é preciso dar nome aos bois" lembro-me de Rosca Seca, um aprazível lugarejo dos rincões de Minas Gerais, no município de Aimorés, cidade fronteiriça com o Estado do Espírito Santo. Ali eu nasci e comecei a trabalhar com oito anos de idade. Meu primeiro trabalho foi ser Candeeiro de bois. Naquela época na minha região não existia outro meio de transportes que não fosse de tração animal. Também não havia energia elétrica e a iluminação se fazia com lamparinas e lampiões.

Meu trabalho era bastante interessante e eu gostava de executá-lo. Levantava da cama por volta das 5 horas da manhã e ia ligeiro buscar os bois no pasto. Esta era a primeira tarefa do dia. Logo depois, os bois eram atrelados a canga e partíamos em busca da mercadoria a ser transportada, que podia ser cana, feijão, arroz, milho, etc. Duas pessoas coordenavam os trabalhos dos bois. O Carreiro, que era o adulto, geralmente ia dentro do carro e o menino que ia à frente dos bois. Para o Carreiro, era importante fazer o carro "cantar". A técnica para isto era passar um chumaço de pano com querosene no eixo do carro para aumentar o atrito. Normalmente o carro de bois trabalhava com quatro juntas, ou seja, com oito bois posicionados dois a dois, ligados por uma canga. Todos tinham nomes. Alguns até nomes engraçados ou bem colocados,que pareciam com eles. Os que iam na frente, eram chamados "bois de guia" porque a elescabiam guiar o comboio. Era só seguir o menino, o Candeeiro, que tudo dava certo.

Os bois de guia eram muito parecidos uns com os outros. Bois bem aparelhados, como se dizia na linguagem da época. Um se chamava Passeio e o outro Passagem. O Passeio tinha um ritmo de trabalho constante, uniforme. Da origem ao destino, mantinha sempre a mesma cadência. Trabalhava bem, discretamente. Já o Passagem, ao contrário, iniciava bem o trabalho mostrando-se muito disposto no início, mas volta e meia fazia "corpo mole" exigindo muito mais atenção do Carreiro. De vez em quando, parava para saborear algum capim gordura mais tenro que estivesse visível à beira da estrada. Quando isto ocorria, o Carreiro dava-lhe uma ferroada e o boi pulava rápido para frente, e só não pisoteava o Candeeiro se ele estivesse atento. De 8 aos 12 anos este era o meu trabalho, executado com chuva ou com sol. Porém, havia uma particularidade digna de registro e que nunca saiu de minha memória: Quando o comboio estava chegando ao destino e que a sede da fazenda era avistada, o Passagem colocava toda a sua força no trabalho de puxar o carro, chegando até a desequilibrar, a seu favor, a harmonia da dupla. Esta particularidade valeu-lhe o apelido de "boi de chegada". A idéia que passava era a de que, no final, andando mais rápido ele folgaria mais cedo. O Passeio continuava no seu ritmo normal. Não alterava, nem para mais nem para menos, a sua contribuição, mas era bom de serviço.

Um dia, ao chegarmos com o carro de bois carregado de milho, notamos a presença de um fazendeiro vizinho que fora visitar meu pai e que observava a nossa chegada. Ao ver a disposição do Passagem, puxando com mais força do que o Passeio e chegando na frente, o nosso visitante exclamou, apontando para o esperto boi de chegada: "Que maravilha! Se o outro fosse assim!" Esta foi sem dúvida a primeira injustiça do trabalho que presenciei. Porém só fui compreender o significado dela quando, anos depois, ingressei no mercado formal de trabalho. Ao ingressar em uma grandeempresa pude ver, muitas vezes, aquela cena se repetir. Alguém trabalhando muito, o tempo todo e outros aparecendo, mostrando-se como se fossem eles os autores das idéias e dos trabalhos elogiados. Aprendi também que os erros de avaliação no trabalho nas empresas são decorrentes do mesmo fato que ocorreu no episódio do Passeio e Passagem. O julgamento feito pelo avaliador, sem um acompanhamento contínuo e sistemático das atitudes, comportamento e desempenho do avaliado. Trabalhei por 25 anos em um grande grupo empresarial onde tive a oportunidade de ver, em várias ocasiões, o ressurgimento dessas duas figuras inesquecíveis: o Passeio e o Passagem. Alguém trabalhando muito, fazendo tudo certo e com menor prestígio do que aqueles que aparecem mais, se expressam melhor ou se aproximam mais de quem tem poder sobre as pessoas.
Nestes 25 anos tive uma gratificante relação de emprego de Servente a Superintendente com meu empregador. Pude perceber que nas organizações também se cometem injustiças e que o "vizinho" pode influenciar as decisões do chefe. A grande diferença é que os Passeios e Passagens das empresas são seres humanos que guardam ressentimentos e mágoas. Os bois não reclamam."

Texto redigido em 2002 por Carlos Pessoa. Ele é integrante e líder da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos). foto: Faz dos Barros Ilheús - set/2000 - arquivo pessoal

sábado, 18 de julho de 2009

Centro Comunitário e Posto de Saúde

O Centro Comunitário Domingos Cotta de Oliveira e o Posto de Saúde Francisco Camillo Peixoto Primo, foram inaugurados em junho de 1987. Funciona hoje, no antigo prédio da Escola Estadual Major Oliveira que estava desativado desde 1983, devido à transferência do educandário para uma construção nova. Tive oportunidade de participar da solenidade de inauguração e a felicidade de registrar com fotos este acontecimento importante para a comunidade de Ilhéus do Prata.

Entre as autoridades, estavam presentes: o prefeito, João Bráz Martins Perdigão(centro da foto); os vereadores: Fábio Lana Rocha(a dir foto), José Viçoso(ao fundo da foto) e Reinaldo de Oliveira Frade, que foi um dos autores deste projeto. Entre as personalidades de Ilhéus, identificamos com saudades, Sr. Quiquito e Dona Dalila(meus avós), a incansável Jaci que também já nos deixou (ao fundo da foto). Destaca-se no centro da foto, Lotinha que completou este ano 90 anos de vida.

A acima foto registra o momento da fala do Prefeito e a presença do saudoso Sr. Deco, nossa querida e inesquecível Tia Gininha e também, de outras pessoas da comunidade de Ilhéus do Prata

Nesta tomada da foto, temos Dona Dalila, sempre presente nos momentos e acontecimentos importantes em Ilhéus do Prata e com certeza, na vida de muitas pessoas que por ali passaram.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Tromba d'gua em Ilhéus

Ponte sobre o ribeirão Santa Rita, localizado na rua principal de Ilhéus do Prata. Foto acima, registrado em 08/02/09, três dias antes da grande tromba d´gua. Este acontecimento foi noticiado pelo Jornal Tribuna do Prata. Abaixo texto e foto publicado pelo jornal.

" 25 de março de 2009
Tromba d’água em Ilhéus do Prata
manhã do dia 11/02, o distrito de ilhéus do Prata, foi surpreendido por uma grande tromba d’água, o que causou inúmeros transtornos aos moradores. Várias casas e estabelecimentos comerciais ficaram completamente alagados ocasionando grandes prejuízos aos moradores. A Mercearia Cota, do comerciante Edgar José Cota, foi a que mais ficou prejudicada, em razão da perda de várias mercadorias. Algumas residências e a “mina” de água também sofreram com esta tragedia.A estudante Stéphanie Cristina fotografou este triste episódio, inclusive o desabamento de parte da ponte principal no centro do distrito."

As fotos registram as condições inseguras da ponte após a enchente. Os riscos são grandes aos pedestres, carros e animais que transitam nesta única via central da Vila de Ilhéus. Contamos com o apoio, imediato, da prefeitura. Situação Crítica!!!
Situação da ponte após enchente - fotos com angulo sentido rua de cima. A parte danificada, foi justamente a emenda feita recentemente, para aumentar a largura da ponte.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Anupungá

Energia elétrica própria
A usina hidrelétrica de Anupugá, foi inaugurada no ano de 1967 e seu objetivo era suprir a falta de energia elétrica das residências em Ilhéus do Prata, melhorando assim, a qualidade de vida de seus habitantes. Naquela época em Ilhéus, energia elétrica, era privilégios dos poucos que conseguiam construir os pequenos açudes e instalar seus próprios geradores. Mesmo assim, o fornecimento de energia era precário e limitado. A maioria das casas era iluminada por lampiões, lamparinas e as tradicionais velas.

A hidrelétrica de Anupungá, pelo seu tamanho e potência, talvez não se enquadrasse a uma Pequena Central Hidrelétrica – PCH, mas sim, um uma Mini Usina de capacidade elevada, cuja o potencial energético provém do ribeirão Santa Rita. No entanto, enquanto funcionou, atendeu a contento a necessidade de energia elétrica de Ilhéus, que basicamente, era iluminar as residências e ruas. Em 1985 a CEMIG, dentro do programa Nacional de Eletrificação Rural, absorveu o fornecimento de energia elétrica local, estendendo também, aos pequenos sítios pertencentes ao distrito de Ilhéus, que até então, eram carente deste benefício.
Obs.Toda usina com geração de 1 até 30 MW(Megawatt) é também comumente designada PCH - Pequena Central Hidrelétrica - Resolução ANEEL nº 652.

Origem do nome Anupungá

Como surgiu o nome Anupungá? Existe muita curiosidade sobre o assunto. Pelo que me lembro, nunca houve um esclarecimento mais técnico e nenhuma divulgação oficial. Existe sim, algum folclore. Dizem que o nome Anupungá, foi inspirado ao complexo hidrelétrico de Urubupungá, localizado na bacia do Paraná, que na década de 60 foi uns dos grandes investimentos do país na produção de energia elétrica. Bom, o brasileiro é criativo e o povo de Ilhéus não é diferente. Considerando as similaridades entre elas e que a diferença aparente é o tamanho, há quem diga, que a Usina maior homenageia o Urubu e a menor, o Anum ou Anu, pássaros conhecidos e que tem características incomuns.

Movimento político - opinião

Sinto-me a vontade em comentar assuntos ou fatos acontecidos em Ilhéus do Prata. Vivi minha infância e boa parte da adolescência ali. Participei e acompanhei movimentos de cunho esportivo, político, social e hoje, mesmo distante, mantenho uma relação afetiva com aquele povo, do qual faço parte. Portanto, me arrisco a um breve comentário da percepção que tenho a respeito da chegada da luz elétrica, a construção de usina própria e sua desativação. Sei muito bem da importância que foi este período e esta obra, que além de iluminar Ilhéus, contribui e contribuirá sempre, para clarear nossa visão política e fortalecer nossa história.

Iluminar a Vila de Ilhéus foi um desafio que coube ao seu filho ilustre, o vereador Walter Cota, que surpreendentemente em 1963, sufragou nas urnas o posto máximo de autoridade do município de São Domingos do Prata, derrotando um forte candidato de partido político de oposição. Estava em suas mãos solucionar esta questão e, o fez sem titubear. Encerrou sua gestão como prefeito, presenteando o povo de Ilhéus, com uma unidade geradora própria capaz de produzir energia elétrica o suficiente para suprir suas necessidades imediatas. Este fato representa um marco significativo e encerra com um final feliz, uma página da história de Ilhéus, marcado por um período de grandes dificuldades e pressões, principalmente no campo político-social.

Por aproximadamente 18 anos, a usina de Anupungá correspondeu, gerando energia elétrica para o povo de Ilhéus. Embora, muitos não percebiam, mas no final deste período ela já operava no sacrifício, sem condições de suportar com mesmo vigor inicial, o novo cenário que se apresentava no que diz respeito ao consumo de energia elétrica local e principalmente, beneficiar os vários minifúndios localizados nos arredores de Ilhéus, que se encontrava excluído deste benefício e isolados numa zona de desconforto. Em meados da década de 80, com a implantação dos programas de eletrificação rural, promovido pelo governo, todo o distrito Ilhéus foi abrangido, iniciando uma nova era para consolidar, efetivamente, a inclusão social do homem do campo naquela região.

Obs.1:Walter Cota Marques, natural de Ilheús do Prata, exerceu mandato de prefeito do município de São Domingos do Prata, gestão 1963 à 1967. Fonte: Subsídios para a História - Frei Thiago Santiago.

Obs.2: A Usina de Anupungá, forneceu energia elétrica até Agosto de 1985, quando foi substituída pela CEMIG(Companhia Energética de Minas Gerais). Fonte: História do Distrito de Ilhéus do Prata - Aldircélia Sérvula Rosa de Oliveira e Paula Cristina Frade Santiago

Usina hidrelétrica

Vamos recordar como funciona uma Usina hidrelétrica

Olhando um ribeirão ou rio passar, é difícil imaginar a quantidade de energia que ela contém. As usinas hidrelétricas utilizam a energia da água, convertendo-a em eletricidade através de um processo mecânico. A Energia Elétrica é produzida pôr um Gerador, que fica localizada na Casa de Força. O gerador é um aparelho que transforma energia mecânica em energia elétrica, possui um eixo que é movido pôr uma Turbina. O eixo precisa ser girado para que o gerador produza eletricidade. A função da água é simplesmente mover a turbina. Para que isto aconteça, é preciso represar a água em um reservatório ou barragem e canaliza-la para promover o movimento do eixo da turbina. Depois do uso, a água continua o seu percurso rio abaixo.

domingo, 5 de abril de 2009

Trilha ecológica de Anupungá

Visitar a velha e desativada usina hidrelétrica de Ilhéus, é uma gostosa caminhada ecológica. É uma sensação de aventura pelo formato do local. Uma trilha estreita em declive no meio da mata e em certos trechos, totalmente fechada e com pouca luminosidade. É bom está acompanhado, pois existem passagens difíceis. Após barragem do ribeirão Santa Rita, a tubulação segue paralela a trilha. Este ponto é considerado mais crítico e exige atenção na travessia. O ribeirão corre ao fundo aos 50 metros. O barulho da água é forte e a visão é muito bonita.
obs.: fotos de fevereiro/2008 - arquivo pessoal

Trilha ecológica - continuação

Em certos momentos da trilha, é possível visualizar o ribeirão Santa Rita. São várias cachoeiras seguidas até a barragem da Usina. É possível ver o canal de captação que atualmente, está tomado pela areia. Antigamente, com a usina em funcionamento, chegar próximo deste local, era extremamente arriscado e não recomendado. Neste ponto o barulho da água é ensurdecedor. Muitas pedras com formatos diversos. A mata sempre contornando o leito do ribeirão. Não da prá chegar perto. É muito bonito e uma sensação muito boa!!!

O ribeirão está ao fundo cercado por duas montanhas. As copas das árvores dão um contraste com o céu e presença de árvores de médio e grande porte, forma um microclima na mata, gerando sombra e umidade. É refrescante. Muito interessante.

Resquícios da velha Anupungá

Tubulação tomada pela corrosão e um velho transformador esquecido pelo tempo. Através destes dutos de ferro a água represada do ribeirão Santa Rita, era direcionada para movimentar a turbina e gerar energia elétrica na Vila de Ilhéus. Velhos e bons tempos!!!
Carcaça da turbina e gerador - depreciado pelo tempo. Infelizmente, muitas peças foram roubadas depois de desativado a Usina. Fios de cobre, bobinas e o próprio gerador de energia. Apesar de inativo, é importante preservar o que existe da usina, pois representa uma época e é sem dúvida nenhuma, um atrativo que desperta curiosidade e promove o ecoturismo no local.
Após longa caminhada, os visitantes registram seus nomes e mensagens na parede da antiga casa de força. São quase 2 km de trilha até este local. É um verdadeiro museu esquecido, no meio de uma vegetação densa, cachoeiras e uma sensação de mistério no ar. É uma aventura legal!!!